"E estas alegrias violentas
têm fins violentos,
falecendo no triunfo
como fogo e polvora,
que num beijo se consomem."
ㅤHoje, finalmente, posso olhar pra trás e analisar quase friamente tudo o que passei. Quase, porque ninguém é imune ao passado. Sempre sobra algum sentimento, seja ele bom ou ruim. No começo, ouso afirmar, foi tudo muito lindo, muito sofrível, muito platônico, embora, na época, parecesse a morte em vida. E o cotidiano era a parte mais difícil: acordar todos os dias, colocar a mão esquerda sobre a cama e sentir a ausência irremediável. Eu me via jogada num poço de insegurança e sofrimento após incontáveis dias de absoluta felicidade, disposta a recorrer a quaisquer meios para reavê-la. E, de fato, foi o que fiz, embora isso só tenha contribuído para minha, cada vez maior, degradação.
ㅤEntretanto - e apesar de tudo - nos acostumamos, essa é a grande verdade. Ou, que se há de fazer? E eu me acostumei, embora não tivesse superado - o que foi meu pior erro. Passei a viver num estado de apatia, afundada na escuridão, adiando decisões em função de esperanças infundadas. Nos últimos anos, fui somente um corpo a vagar de cidade em cidade, esperando que a felicidade entrasse pela minha porta da mesma maneira brutal como havia ido embora. E no meio do caminho, eu matava a mim mesma, pedaço a pedaço, apunhalando-me com doses periódicas de uma melancólica nostalgia, sacrificando meu futuro em prol do passado.
ㅤEntretanto - e apesar de tudo - nos acostumamos, essa é a grande verdade. Ou, que se há de fazer? E eu me acostumei, embora não tivesse superado - o que foi meu pior erro. Passei a viver num estado de apatia, afundada na escuridão, adiando decisões em função de esperanças infundadas. Nos últimos anos, fui somente um corpo a vagar de cidade em cidade, esperando que a felicidade entrasse pela minha porta da mesma maneira brutal como havia ido embora. E no meio do caminho, eu matava a mim mesma, pedaço a pedaço, apunhalando-me com doses periódicas de uma melancólica nostalgia, sacrificando meu futuro em prol do passado.
Dizem que a morte da esperança
é o pior dos sentimentos.
Discordo.
ㅤEntretanto, o fundo do poço chega para todos. A hora de realizar pro fato de que, simplesmente, não dá mais. Aqueles dias acabaram e não há nada que você possa fazer além de aceitar. A morte da esperança: desesperadora, inevitável. Mas saudável, pelo menos pra mim, pois me fez perceber que, pior que o fim de uma história tão bela de amor, era deixar-me continuar a basear minha felicidade na existência de alguém. E sabe por quê? Porque não há pessoa no mundo que será capaz de me amar da forma como eu posso amar a mim mesma. Amor próprio – eis a palavra chave. E este maldito egoísmo, que pode lhe parecer desprezível, foi minha cura.
ㅤPortanto, não ouse me condenar. Eu tentei, inutilmente, me salvar sem destruir parte de mim. Mas me perdi no caminho e não pude voltar ao que era, tampouco pude parar de seguir em frente. Eu apenas busquei uma maneira de evoluir sem perder o direito de sentir, de crescer sem perder totalmente a esperança nas pessoas. E aprender isso sozinha é muito difícil. Por fim, não pense que eu não tenho mais coração. Eu tenho. Mas se você não consegue ouví-lo, é porque não faz ele bater.
Nenhum comentário:
Postar um comentário